{"id":122,"date":"2016-05-25T23:28:57","date_gmt":"2016-05-25T23:28:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ata-divisions.org\/PLD\/?p=122"},"modified":"2017-08-12T23:30:13","modified_gmt":"2017-08-12T23:30:13","slug":"o-programa-school-outreach-da-ata-tambem-e-para-interpretes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ata-divisions.org\/PLD\/2016\/05\/25\/o-programa-school-outreach-da-ata-tambem-e-para-interpretes\/","title":{"rendered":"O programa School Outreach da ATA tamb\u00e9m \u00e9 para int\u00e9rpretes!"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Gio Lester<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A minha filha teve a sorte de frequentar uma escola de bairro bem pequena.\u00a0Ao todo, eram\u00a034 alunos. Duas salas de aula eram\u00a0o suficiente para atender os alunos do pr\u00e9 \u00e0 6\u00aa s\u00e9rie. Seus coleguinhas v\u00eam das mais diversas viv\u00eancias e\u00a0muitos falam mais de um idioma. Os pais ficavam frustrados\u00a0ao tentar ensinar a sua l\u00edngua materna para a nova gera\u00e7\u00e3o, que v\u00ea idiomas como algo que promove a segrega\u00e7\u00e3o, em vez consider\u00e1-los uma vantagem.<\/p>\n<p>Esse parecia ser o ambiente perfeito para colocar em pr\u00e1tica o programa\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.atanet.org\/ata_school\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">School Outreach<\/a><\/strong>\u00a0da ATA: eu, como m\u00e3e, j\u00e1 passei pela situa\u00e7\u00e3o e\u00a0gostaria de ter recebido ajuda na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Bom,\u00a0permita-me voltar ao in\u00edcio da hist\u00f3ria. Tenho dois filhos e ambos falam mais de dois idiomas. O menino, que agora tem 34, fala ingl\u00eas, portugu\u00eas, espanhol e italiano. Quando a minha filha, Rebecca, tinha cinco anos de idade, ela falava, lia e escrevia em ingl\u00eas, portugu\u00eas, espanhol e franc\u00eas. Desde ent\u00e3o, ela deixou o franc\u00eas de lado, mas era gostoso corrigir a li\u00e7\u00e3o de casa dela em todos esses idiomas e ouvi-la lendo\u00a0para a gente.<\/p>\n<p>Por isso, na manh\u00e3 de 2 de outubro de 2006, levei uma bolsa cheia de novidades para ela, seus coleguinhas de escola e as professoras a fim de ajud\u00e1-los a embarcar em uma\u00a0aventura multil\u00edngue. E, como tamb\u00e9m sou tradutora e int\u00e9rprete, decidi falar sobre a minha profiss\u00e3o durante a visita.<\/p>\n<p>Muitos dos alunos j\u00e1 falavam outro idioma al\u00e9m do ingl\u00eas, apesar de n\u00e3o o fazerem por livre e espont\u00e2nea vontade.\u00a0Meu\u00a0primeiro desafio foi\u00a0faz\u00ea-los compreender que falar outro idioma \u00e9 algo positivo, n\u00e3o um estigma. Comecei apresentando uma tirinha em portugu\u00eas:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2163 size-full\" src=\"https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/tirinha.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 662px) 100vw, 662px\" srcset=\"https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/tirinha-300x101.jpg 300w, https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/tirinha.jpg 662w\" alt=\"tirinha\" width=\"662\" height=\"222\" \/><\/p>\n<p>Selecionei uma tirinha da s\u00e9rie \u201cBaby Blues\u201d, de Rick Kirkman e Jerry Scott, que falava de algo bastante familar a todos, pois tinha que prender a aten\u00e7\u00e3o de 16 crian\u00e7as entre cinco e 11 anos de idade. O desenho da tirinha\u00a0chamava a aten\u00e7\u00e3o visualmente e todos tentaram adivinhar o que o pai e a filha estavam falando. Acho que nem mesmo os autores poderiam ter usado de tanta criatividade como aquelas crian\u00e7as! Aqui est\u00e1\u00a0o original:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2165 size-full\" src=\"https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/comicstrip.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 675px) 100vw, 675px\" srcset=\"https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/comicstrip-300x104.jpg 300w, https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/comicstrip.jpg 675w\" alt=\"comicstrip\" width=\"675\" height=\"233\" \/><\/p>\n<p>Falamos sobre escrever em outros idiomas e a tradu\u00e7\u00e3o de livros. Mostrei para a\u00a0turma alguns livros traduzidos, ao lado dos originais, incluindo\u00a0<em>Harry Potter and the Sorcerer\u2019s Stone<\/em>\u00a0e a vers\u00e3o em portugu\u00eas do Brasil, \u201cHarry Potter e a pedra filosofal\u201d, al\u00e9m de\u00a0<em>The Little Prince<\/em>\u00a0e \u201cO pequeno pr\u00edncipe\u201d, um dicion\u00e1rio tril\u00edngue (portugu\u00eas, franc\u00eas e ingl\u00eas), alguns gibis em portugu\u00eas e espanhol e outros materiais impressos.<\/p>\n<p>Eles se divertiram tendo\u00a0o original e a tradu\u00e7\u00e3o em m\u00e3os. Foi muito gratificante v\u00ea-los tentando pronunciar palavras estrangeiras depois de\u00a0\u201cdescobrirem\u201d\u00a0o significado por tr\u00e1s delas. \u201cMafalda\u201d, do cartunista Quino, foi um sucesso entre as\u00a0crian\u00e7as que sabiam falar espanhol, apesar de n\u00e3o conseguirem ler no idioma. Tamb\u00e9m ficaram surpresos a ouvir sobre as diferen\u00e7as entre o espanhol da vov\u00f3 (geralmente o cubano nesta\u00a0regi\u00e3o da Fl\u00f3rida) e o argentino da\u00a0Mafalda.<\/p>\n<p>Falei sobre interpreta\u00e7\u00e3o de maneira bastante pr\u00e1tica. Primeiro, contando sobre as situa\u00e7\u00f5es diferentes em que os servi\u00e7os de um int\u00e9rprete podem ser solicitados: \u201cno consult\u00f3rio m\u00e9dico\u201d e \u201cdurante uma viagem ao estrangeiro\u201d foram algumas das sugest\u00f5es.<\/p>\n<p>Fizemos um teatrinho: Felipe, de sete anos, fez o papel de um m\u00e9dico que fala ingl\u00eas e precisava tratar de uma paciente que fala espanhol, interpretada pela professora Vanessa. As crian\u00e7as\u00a0fizeram muitas perguntas. \u201cComo \u00e9 que um m\u00e9dico pode cuidar de\u00a0um paciente\u00a0sem entender o que ele est\u00e1 dizendo?\u201d \u201cComo o\u00a0paciente vai\u00a0explicar o problema para o m\u00e9dico se n\u00e3o falam a mesma l\u00edngua?\u201d Eu entrei em a\u00e7\u00e3o como int\u00e9rprete, servindo de ponte\u00a0lingu\u00edstica para a emo\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as!<\/p>\n<p>No segundo teatrinho, a minha filha Rebecca se aproximou de Natalie, uma turista, e\u00a0perguntou \u2015em portugu\u00eas!\u2015 se ela queria brincar. Natalie n\u00e3o entendeu nada e quase ficou com raiva por causa de tanta frustra\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que a int\u00e9rprete chegou para ajudar. Desta fez, Felipe salvou o dia atuando como int\u00e9rprete e facilitando a comunica\u00e7\u00e3o entre\u00a0Rebecca e Natalie. A irm\u00e3 mais velha\u00a0dele, Bela, de nove anos, o ajudou sussurrando-lhe as frases ao p\u00e9 do ouvido, o que me deu outra oportunidade de falar sobre a profiss\u00e3o e as v\u00e1rias modalidades da interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, a Sra. Ivonne Benitez, diretora da escola, fingiu vestir a toga de juiz\u00a0e segurar um martelo, transformando-se instantaneamente na ju\u00edza do Tribunal de Imigra\u00e7\u00e3o que avaliou o caso da professora Vanessa. A entrevista com a ju\u00edza\u00a0foi r\u00e1pida e as crian\u00e7as ouviram a professora chamando a diretora de \u201cMerit\u00edssima\u201d e a m\u00e3e da coleguinha Rebecca de \u201cSenhora Int\u00e9rprete\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_2168\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2168 size-large\" src=\"https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/group2-1024x681.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/group2-300x199.jpg 300w, https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/group2-768x511.jpg 768w, https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/group2-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/group2.jpg 1280w\" alt=\"group2\" width=\"620\" height=\"412\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Photo Credit: Rebecca Lester \u2015 Alunos de 1\u00aa a 5\u00aa s\u00e9rie da House Montessori School em Miami<\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<p><strong>NOTA DA EDI\u00c7\u00c3O:<\/strong>\u00a0A mat\u00e9ria original foi publicada, em ingl\u00eas,\u00a0no\u00a0boletim informativo da Divis\u00e3o de Int\u00e9rpretes da ATA, na\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.ata-divisions.org\/ID\/newsletters\/Voice_2007_Fall.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">edi\u00e7\u00e3o de\u00a0outono de 2007<\/a><\/strong>.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.translanguage.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">GIO LESTER<\/a><\/strong>\u00a0trabalha com tradu\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o desde 1980 e \u00e9 credenciada pela ATA no par de idiomas\u00a0portugu\u00eas &gt; ingl\u00eas. Foi administradora da Divis\u00e3o de Int\u00e9rpretes da ATA e atualmente \u00e9 presidente da\u00a0Association of Translators and Interpreters of Florida, Inc., que ajudou a fundar em 2009. Tamb\u00e9m faz parte da\u00a0National Association of Judiciary Interpreters and Translators e da\u00a0International Association of Professional Translators and Interpreters.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j16-dhFDu28?feature=oembed\" width=\"620\" height=\"465\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gio Lester A minha filha teve a sorte de frequentar uma escola de bairro bem pequena.\u00a0Ao todo, eram\u00a034 alunos. Duas salas de aula eram\u00a0o suficiente para atender os alunos do pr\u00e9 \u00e0 6\u00aa s\u00e9rie. Seus coleguinhas v\u00eam das mais diversas viv\u00eancias e\u00a0muitos falam mais de um idioma. 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