{"id":202,"date":"2017-06-21T18:56:34","date_gmt":"2017-06-21T18:56:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ata-divisions.org\/PLD\/?p=202"},"modified":"2017-08-30T18:56:54","modified_gmt":"2017-08-30T18:56:54","slug":"metaforas-da-traducao-o-que-significa-ser-um-bom-tradutor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ata-divisions.org\/PLD\/2017\/06\/21\/metaforas-da-traducao-o-que-significa-ser-um-bom-tradutor\/","title":{"rendered":"Met\u00e1foras da tradu\u00e7\u00e3o: O que significa ser um bom tradutor?"},"content":{"rendered":"<header class=\"single-entry-header\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2589 size-large\" src=\"https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Diagramativo-Karnal-1024x683.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Diagramativo-Karnal-300x200.jpg 300w, https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Diagramativo-Karnal-768x512.jpg 768w, https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Diagramativo-Karnal-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Diagramativo-Karnal.jpg 1296w\" alt=\"Photo Credit: Diagramativo\" width=\"620\" height=\"414\" \/><\/header>\n<div class=\"single-entry-content\">\n<div id=\"attachment_2589\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p class=\"wp-caption-text\">Photo Credit: Diagramativo<\/p>\n<\/div>\n<p><em><strong>Ma\u00edra Monteiro<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Na abertura do VIII Congresso da\u00a0<a href=\"https:\/\/abrates.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Tradutores (ABRATES)<\/a>, o brilhante professor\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leandro__karnal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leandro Karnal<\/a>\u00a0nos brindou com belas met\u00e1foras sobre o que significa traduzir e ser um bom tradutor. Uma delas, a dos \u201ccegos e o elefante\u201d, reflete o papel do tradutor como mediador de culturas. J\u00e1 o conto humor\u00edstico \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/2sQV5HX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O tradutor cleptoman\u00edaco<\/a>\u201c, de\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dezs%C5%91_Kosztol%C3%A1nyi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dezs\u00f6 Kosztol\u00e1nyi<\/a>, tamb\u00e9m mencionado por Karnal, brinca com a possibilidade de se ferir loucamente a \u00e9tica da profiss\u00e3o com manobras impens\u00e1veis.<\/p>\n<p>Vamos come\u00e7ar com a hist\u00f3ria dos cegos e do elefante. Certo dia, um pr\u00edncipe mandou chamar um grupo de cegos em seu castelo, mandou trazer um elefante e o colocou diante do grupo. Em seguida, foi levando os cegos at\u00e9 o elefante para que o apalpassem. Um apalpava a barriga, outro a cauda, outro a tromba. Ent\u00e3o, o que tinha apalpado a barriga disse que o elefante era como uma enorme parede. O que tinha apalpado a cauda discordou e disse que o elefante se parecia mais com uma corda. Por fim, o que tinha apalpado a tromba interferiu: \u201cVoc\u00eas est\u00e3o por fora. O elefante \u00e9 mangueira de \u00e1gua\u2026\u201d.<br \/>\nEnquanto os cegos se envolveram numa discuss\u00e3o sem fim, cada um querendo provar que os outros estavam errados de acordo com sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, o tradutor \u00e9 aquele que v\u00ea que o elefante \u00e9 tudo o que foi dito. Transpondo a met\u00e1fora para o mundo da tradu\u00e7\u00e3o, o elefante representa a polissemia das palavras. Uma palavra pode ter diferentes acep\u00e7\u00f5es na mesma cultura e entre culturas diferentes de acordo com o contexto. O tradutor \u00e9 aquele que aceita e concilia essas diferentes vis\u00f5es de mundo em seu trabalho fazendo escolhas muitas vezes dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que foi ilustrado acima, o tradutor cleptoman\u00edaco do conto de Kosztol\u00e1nyi n\u00e3o cumpre o primeiro mandamento da boa tradu\u00e7\u00e3o: n\u00e3o roubar\u00e1s (ou omitir\u00e1s) palavras. Esse princ\u00edpio est\u00e1 na base da \u00e9tica da profiss\u00e3o. Com certeza, profissionais como voc\u00ea n\u00e3o sofrem desse mal, mas transcrevi o conto abaixo apenas para alegrar seu dia.\u00a0\ud83d\ude09<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-2594\" src=\"https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/kosztolanyi-300x203.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/kosztolanyi-300x203.jpg 300w, https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/kosztolanyi.jpg 400w\" alt=\"kosztolanyi\" width=\"300\" height=\"203\" \/><\/p>\n<p><strong>O TRADUTOR CLEPTOMAN\u00cdACO<\/strong><br \/>\n<strong>e outras hist\u00f3rias de Korn\u00e9l Esti<\/strong><br \/>\n<em><strong>Dezs\u00f6 Kosztol\u00e1nyi<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Fal\u00e1vamos de escritores e poetas, de velhos amigos, com que come\u00e7amos a jornada, mas que depois se distanciaram e desapareceram. De quando em quando lan\u00e7\u00e1vamos um nome ao ar. Quem se lembra dele? Balan\u00e7\u00e1vamos a cabe\u00e7a e um p\u00e1lido sorriso se esbo\u00e7ava em nossos l\u00e1bios. No espelho de nossos olhos surgia um rosto esquecido, uma carreira e uma vida perdidas. Quem sabe algo sobre ele? Viver\u00e1 ainda? O sil\u00eancio respondia \u00e0 pergunta. Neste sil\u00eancio, a coroa de flores de sua gl\u00f3ria farfalhava, como farfalhavam as folhas no cemit\u00e9rio. Cal\u00e1vamo-nos.<\/p>\n<p>Ficamos assim durante minutos, at\u00e9 que algu\u00e9m evocou o nome de Gallus. \u2014 Pobre sujeito \u2014 disse Korn\u00e9l Esti\u2014, encontrei-o anos atr\u00e1s \u2013 , mas j\u00e1 faz sete ou oito anos, sob condi\u00e7\u00f5es muito tristes. Foi quando lhe aconteceu algo relacionado com uma novela policial, algo que tamb\u00e9m havia sido uma hist\u00f3ria policial, a mais emocionante e mais dolorosa que j\u00e1 vivi. Porque voc\u00eas o conheciam, um pouco, ao menos. Era um garoto talentoso, eletrizante, intuitivo, consciencioso e culto tamb\u00e9m. Falava v\u00e1rias l\u00ednguas. Sabia ingl\u00eas t\u00e3o bem, que dizem que o pr\u00edncipe de Gales tomara aulas particulares com ele. Havia morado quatro anos em Cambridge.<\/p>\n<p>Mas tinha um defeito fatal. N\u00e3o, n\u00e3o bebia. Mas surrupiava tudo que estava ao alcance de sua m\u00e3o. Roubava como uma ave de rapina. Tanto lhe fazia se se tratava de um rel\u00f3gio de bolso, chinelos ou um enorme duto para chamin\u00e9. E n\u00e3o se preocupava tamb\u00e9m com o valor dos artigos roubados, nem com o seu volume e dimens\u00f5es. Geralmente n\u00e3o se importava com a sua utilidade. Seu prazer consistia simplesmente em fazer aquilo que queria: roubar. N\u00f3s, os seus amigos mais pr\u00f3ximos, nos esfor\u00e7\u00e1vamos para traz\u00ea-lo \u00e0 raz\u00e3o. Fal\u00e1vamos \u00e0 sua alma, carinhosamente. Repreend\u00edamos e amea\u00e7\u00e1vamos. Ele concordava conosco. Prometia sempre lutar contra sua natureza. Mas a raz\u00e3o n\u00e3o vencia, sua natureza era mais forte. Sempre reca\u00eda.<\/p>\n<p>Quantas vezes desconhecidos n\u00e3o o repreenderam, e n\u00e3o o humilharam em lugares p\u00fablicos, quantas vezes n\u00e3o o flagraram, e, nessas ocasi\u00f5es, t\u00ednhamos de tomar atitudes inacredit\u00e1veis para minimizar as conseq\u00fc\u00eancias de seus atos. Certa vez, por\u00e9m, no expresso para Viena, foi surpreendido por um comerciante mor\u00e1vio ao alivi\u00e1-lo de sua carteira, e entregue \u00e0 pol\u00edcia na esta\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima. Trouxeram-no algemado para Budapeste.<\/p>\n<p>Tentamos salv\u00e1-lo de novo. Voc\u00eas, que escrevem, sabem que tudo \u00e9 decidido pelas palavras: tanto o valor de um poema como o destino de um homem. Tentamos provar que ele era um cleptoman\u00edaco e n\u00e3o um ladr\u00e3o. Aquele que conhecemos geralmente \u00e9 cleptoman\u00edaco. Aquele que n\u00e3o conhecemos geralmente \u00e9 ladr\u00e3o. O tribunal n\u00e3o o conhecia; assim foi qualificado \u2014 ladr\u00e3o, e condenado a dois anos de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de libertado, numa sombria manh\u00e3 de dezembro, pr\u00f3ximo ao Natal, apareceu-me, esfomeado, esfarrapado. Jogou-se a meus p\u00e9s. Implorou que eu n\u00e3o o abandonasse, que o ajudasse, que lhe arrumasse trabalho. Escrever sob seu pr\u00f3prio nome estava fora de qualquer cogita\u00e7\u00e3o. Nada sabia fazer, por\u00e9m, sen\u00e3o escrever. Procurei ent\u00e3o um editor honesto e humano, recomendei-o, e no dia seguinte o editor incumbiu-o da tradu\u00e7\u00e3o de uma novela inglesa de detetives. Era um daqueles lixos com os quais n\u00f3s n\u00e3o queremos sujar as m\u00e3os. N\u00e3o o lemos. No m\u00e1ximo o traduzimos, usando luvas. Seu t\u00edtulo \u2014 at\u00e9 hoje me lembro \u2014, \u201cO misterioso castelo do conde Vitsislav\u201d. Mas que importava? Fiquei feliz por ajud\u00e1-lo, ele feliz por poder comer e assim come\u00e7ou o trabalho. Trabalhou com tanto afinco que em duas semanas \u2014 muito antes do prazo \u2014 entregou o manuscrito.<\/p>\n<p>Fiquei extremamente surpreso quando, passados alguns dias, o editor me comunicou que a tradu\u00e7\u00e3o do meu protegido era totalmente inutiliz\u00e1vel, e por isso n\u00e3o estava disposto a pagar nenhum vint\u00e9m. N\u00e3o entendi bem. Fui at\u00e9 l\u00e1 de t\u00e1xi.<\/p>\n<p>O editor, sem nada dizer, entregou-me o manuscrito. Nosso amigo o datilografara com capricho, numerara as p\u00e1ginas, at\u00e9 as prendera com uma fita com as cores nacionais. Isso era muito dele, pois \u2014 acho que j\u00e1 disse \u2014, em quest\u00f5es de literatura, era preciso e escrupulosamente meticuloso. Comecei a ler o texto. Soltei um grito de admira\u00e7\u00e3o. Frases claras, mudan\u00e7as engenhosas, montagens ling\u00fc\u00edsticas espirituosas se sucediam, muito mais digna que o original. Espantado, perguntei ao editor que defeito tinha encontrado. Ele me entregou original ingl\u00eas, de forma t\u00e3o silenciosa quanto fez com o manuscrito, e pediu-me para comparar os dois textos. Por meia hora, mergulhei alternadamente no original e no manuscrito. Ao final, levantei-me consternado. Declarei que ele estava com toda a raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Por qu\u00ea? Nem tentem adivinhar. Est\u00e3o enganados. N\u00e3o tentou contrabandear o texto de um outro original. Era realmente \u201cO misterioso castelo do conde Vitsislav\u201d, numa tradu\u00e7\u00e3o fluente, artist\u00edca, e por vezes po\u00e9tica. Est\u00e3o novamente enganados. O texto n\u00e3o continha nenhum escorreg\u00e3o. Afinal, ele sabia ingl\u00eas e h\u00fangaro perfeitamente Parem de tentar. Disso voc\u00eas nunca ouviram falar. A mancada foi outra. Totalmente outra.<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m descobri aos poucos, gradualmente. Prestem aten\u00e7\u00e3o. A primeira frase do original ingl\u00eas dizia assim: \u201cAs trinta e seis janelas do velho castelo, desgastado pelo vento, brilhavam. No primeiro andar, na sal\u00e3o de baile, quatro lustres de cristal iluminavam luxuosamente. Na tradu\u00e7\u00e3o h\u00fangara estava: \u201cAs dezessete janelas do castelo, desgastado pelo vento, brilhavam. No primeiro andar, dois lustres de cristal iluminavam luxuosamente\u201d. Arregalei meus olhos e continuei a leitura. Na terceira p\u00e1gina, o escritor ingl\u00eas dizia: \u201cCom um sorriso ir\u00f4nico, o conde Vitsislav abriu sua carteira recheada e atirou a quantia pedida, mil e quinhentas libras\u2026\u201d Isso foi interpretado da seguinte forma pelo tradutor h\u00fangaro: \u201cCom um sorriso ir\u00f4nico, o conde Vitsislav abriu sua carteira e atirou a quantia pedida, cento e cinq\u00fcenta libras\u2026\u201d<\/p>\n<p>Tive uma p\u00e9ssima premoni\u00e7\u00e3o, que \u2014 felizmente se tornou uma certeza nos minutos seguintes. Mais abaixo, no fim da terceira p\u00e1gina, li na edi\u00e7\u00e3o inglesa: \u201cA condessa Eleonora estava sentada num dos cantos do sal\u00e3o de baile, vestida para a noite, usando as velhas j\u00f3ias da fam\u00edlia: tiara de diamantes, herdada da sua tatarav\u00f3, esposa de um pr\u00edncipe alem\u00e3o;sobre seu colo de cisne, p\u00e9rolas verdadeiras de brilho opaco; seus dedos quase se enrijeciam com os an\u00e9is de brilhante, safira, esmeralda.<\/p>\n<p>O manuscrito h\u00fangaro, para minha grande surpresa, assim trazia: \u201c A condessa Eleonora estava sentada num dos cantos do sal\u00e3o de baile, vestida para a noite\u2026\u201d Sem mais. A tiara de diamantes, o colar de p\u00e9rolas, os an\u00e9is de brilhante, safira e esmeralda haviam desaparecido. Compreendem o que fizera esse infeliz escritor, merecedor de um futuro melhor? Simplesmente roubou as j\u00f3ias de fam\u00edlia da condessa Eleonora, e, com a mesma imperdo\u00e1vel leviandade, roubou at\u00e9 o simp\u00e1tico conde Vitsislav, deixando das suas mil e quinhentas libras apenas cento e cinq\u00fcenta,e da mesma forma surrupiou dois dos quatro lustres de cristal, e desviou vinte e quatro das trinta e seis janelas do velho castelo desgastado pelo vento. Tudo come\u00e7ou a girar ao meu redor. Minha surpresa s\u00f3 aumentou quando constatei, sem nenhuma d\u00favida, que essa determina\u00e7\u00e3o percorria todo o seu trabalho. Por onde sua pena de tradutor passasse, sempre causava preju\u00edzo aos personagens, mesmo que s\u00f3 se apresentassem naquele cap\u00edtulo, e, sem respeitar m\u00f3vel ou im\u00f3vel, atropelava a quase indiscut\u00edvel sacralidade da propriedade privada. Trabalhava de v\u00e1rias maneiras. Na maioria das vezes, os objetos desapareciam sem mais nem menos. Aqueles cofres, talheres de prata, cuja miss\u00e3o era enobrecer o original ingl\u00eas, n\u00e3o os encontrei em nenhum lugar no manuscrito h\u00fangaro. Em outros casos s\u00f3 tirava uma parte, a metade ou dois ter\u00e7os. Se algu\u00e9m mandava o criado levar cinco malas para a cabine do trem, ele s\u00f3 mencionava duas; sobre as outras tr\u00eas silenciava sorrateiramente. De todos os casos, para mim, o pior \u2014 porque isso decididamente mostrava m\u00e1 inten\u00e7\u00e3o e falta de hombridade \u2014 era que com freq\u00fc\u00eancia trocava as pedras e metais preciosos por outros sem nobreza e sem valor; a platina por lata, o ouro por lat\u00e3o, o diamante por zircotina ou vidro.<\/p>\n<p>Despedi-me do editor, cabisbaixo. Por curiosidade, pedi emprestado o manuscrito e o original ingl\u00eas. Como estava intrigado pelo verdadeiro enigma dessa novela policial, continuei em casa minha investiga\u00e7\u00e3o, e fiz um balan\u00e7o completo dos artigos roubados. Trabalhei sem parar da uma e meia da tarde at\u00e9 seis e meia da manh\u00e3. Descobri, finalmente, que nosso desvirtuoso colega escritor apropriou do original ingl\u00eas, durante a tradu\u00e7\u00e3o, ilegal e indecentemente, 1.579.251 libras esterlinas, 177 an\u00e9is de ouro, 947 colares de p\u00e9rola, 181 rel\u00f3gios de bolso, 309 brincos, 435 malas, sem falar das propriedades, florestas e pastos, castelos de pr\u00edncipes e bar\u00f5es, e outros objetos menores, len\u00e7os, palitos de dente, campainhas, cuja listagem seriamuito comprida e talvez in\u00fatil. Onde colocou todos esses m\u00f3veis e im\u00f3veis que afinal s\u00f3 existiam no papel, no reino da imagina\u00e7\u00e3o; qual era a raz\u00e3o do seu furto; a investiga\u00e7\u00e3o iria muito longe e assim melhor nem especular. Mas tudo isso me convenceu de que ele ainda era escravo de seu v\u00edcio criminoso, ou da doen\u00e7a, e n\u00e3o existia nenhuma esperan\u00e7a de cura, e n\u00e3o merecia ser amparado pela sociedade honesta. Retirei minha prote\u00e7\u00e3o devido \u00e0 minha indigna\u00e7\u00e3o moral. Entreguei-o ao destino. Depois, nunca mais ouvi falar dele.<\/p><\/blockquote>\n<hr \/>\n<p><strong>NOTA DO EDITOR:<\/strong>\u00a0Este texto foi publicado originalmente o\u00a0<a href=\"https:\/\/maira-monteiro.strikingly.com\/blog\/metaforas-da-traducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">blog da autora<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/abrates.com.br\/profile\/474\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-2590\" src=\"https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Ma%C3%ADra-300x300.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" srcset=\"https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Ma\u00edra-150x150.jpg 150w, https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Ma\u00edra-300x300.jpg 300w, https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Ma\u00edra-768x768.jpg 768w, https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Ma\u00edra-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/pldata.net\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Ma\u00edra.jpg 1200w\" alt=\"Ma\u00edra\" width=\"100\" height=\"100\" \/>MA\u00cdRA MONTEIRO<\/strong><\/a>\u00a0\u00e9 graduada e licenciada em Letras (Ingl\u00eas \u2013 Literaturas) pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e especialista em Tradu\u00e7\u00e3o e Interpreta\u00e7\u00e3o de Confer\u00eancia pela UGF (Universidade Gama Filho). Atua como tradutora e revisora de l\u00edngua inglesa no setor de localiza\u00e7\u00e3o h\u00e1 dez anos. Suas principais \u00e1reas de trabalho s\u00e3o tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, turismo e hotelaria, marketing, entre outros. \u00c9 credenciada \u00e0 ABRATES desde 2014.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Photo Credit: Diagramativo Ma\u00edra Monteiro Na abertura do VIII Congresso da\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Tradutores (ABRATES), o brilhante professor\u00a0Leandro Karnal\u00a0nos brindou com belas met\u00e1foras sobre o que significa traduzir e ser um bom tradutor. Uma delas, a dos \u201ccegos e o elefante\u201d, reflete o papel do tradutor como mediador de culturas. 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