{"id":623,"date":"2012-11-21T02:04:35","date_gmt":"2012-11-21T02:04:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ata-divisions.org\/PLD\/?p=623"},"modified":"2017-09-22T02:05:21","modified_gmt":"2017-09-22T02:05:21","slug":"featured-blog-november-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ata-divisions.org\/PLD\/2012\/11\/21\/featured-blog-november-2012\/","title":{"rendered":"Featured Blog \u2013 November 2012"},"content":{"rendered":"<header class=\"single-entry-header\"><strong><a href=\"https:\/\/artedatraducao.blogspot.ca\/2011\/11\/traducao-audiovisual-e-censura.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tradu\u00e7\u00e3o audiovisual e \u201ccensura\u201d<\/a><\/strong><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"single-entry-content\">\n<p><strong>by\u00a0<a href=\"https:\/\/www.atanet.org\/onlinedirectories\/tsd_listings\/tsd_view.fpl?id=12627\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carolina Alfaro de Carvalho<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Antes de mais nada, uma pergunta: onde quer que voc\u00ea more, seja no Brasil ou em algum outro pa\u00eds, qual \u00e9 a sua impress\u00e3o sobre o linguajar usado em legendagem e dublagem de filmes comerciais, em cinemas e canais de TV? Ele tende a ser conservador ou expl\u00edcito em termos de termos ofensivos, expletivos, escatologia, etc.? Voc\u00ea j\u00e1 criticou negativamente uma tradu\u00e7\u00e3o por ser \u201ccareta\u201d demais? E j\u00e1 se indignou com uma tradu\u00e7\u00e3o que, na sua opini\u00e3o, tinha excesso de palavr\u00f5es?<\/p>\n<p>Quem j\u00e1 esteve do lado dos bastidores da legendagem sabe que os clientes, sobretudo dos meios de entretenimento (circuito de cinema, TV e DVD), t\u00eam manuais extensos com v\u00e1rias regras a serem seguidas. N\u00e3o falo s\u00f3 de quest\u00f5es t\u00e9cnicas como a rela\u00e7\u00e3o entre a dura\u00e7\u00e3o da fala e o m\u00e1ximo de caracteres permitidos, mas tamb\u00e9m de vocabul\u00e1rio e estilo. Muitos n\u00e3o permitem o uso de linguagem de baixo cal\u00e3o ou, no m\u00ednimo, pedem para ameniz\u00e1-la; canais de TV muitas vezes t\u00eam restri\u00e7\u00e3o a merchandising na tradu\u00e7\u00e3o, mesmo que uma marca seja dita explicitamente no filme; e h\u00e1 diversas preocupa\u00e7\u00f5es com a corre\u00e7\u00e3o da linguagem escrita.<\/p>\n<p>Geralmente, o resultado ainda fica dentro do razo\u00e1vel. O objetivo da legendagem \u00e9 transmitir a mensagem de uma forma bem mais concisa, pois n\u00f3s demoramos bem mais tempo para ler uma frase escrita do que para entender uma frase oral, ent\u00e3o muitas nuances acabam ficando de fora. As dificuldades s\u00e3o muitas, mas na maioria das vezes o estilo condiz com o contexto.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, o cliente \u2014 seja a distribuidora do filme ou o canal de TV a cabo, por exemplo \u2014 \u00e9 excessivamente cauteloso ou imp\u00f5e regras demais sem considerar cada tipo diferente de material, e a tradu\u00e7\u00e3o acaba ficando \u201ccareta\u201d demais, a ponto de causar um efeito quase rid\u00edculo. Nesses casos, muitos espectadores, e tradutores tamb\u00e9m, percebem e reclamam da \u201ccensura\u201d \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso de filmes \u201cindependentes\u201d ou para um p\u00fablico restrito, como o de um festival de cinema, a linguagem usada costuma ser mais livre.<\/p>\n<p>Eu fiz um estudo bastante aprofundado sobre as diretrizes de controle da linguagem e escrevi um artigo que ser\u00e1 publicado em breve em uma edi\u00e7\u00e3o especial da revista Meta, que explora a rela\u00e7\u00e3o entre tradu\u00e7\u00e3o audiovisual e pol\u00edtica. Passei um ano pensando e pesquisando esse assunto e, naturalmente, continuo reparando em discuss\u00f5es sobre o uso de linguagem de baixo cal\u00e3o em legendas. Ent\u00e3o agora aproveito para reunir algumas situa\u00e7\u00f5es interessantes relatadas na imprensa.<\/p>\n<p>No dia 17 de novembro foram publicados dois artigos relacionados,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/news\/entertainment-arts-15781133\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um pela BBC News<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.radiotimes.com\/news\/2011-11-17\/exclusive-bbc-clamps-down-on-swearing-in-the-killing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">outro pela Radio Times<\/a>. Em resumo, a s\u00e9rie dinamarquesa \u201cForbrydelsen\u201d (traduzida em ingl\u00eas como \u201cThe Killing\u201d e tamb\u00e9m adaptada como remake americano com o mesmo nome) \u00e9 exibida pela BBC no Reino Unido, na l\u00edngua original \u2014 dinamarqu\u00eas \u2014 com legendas em ingl\u00eas. Tudo indica que a primeira temporada foi traduzida com tantos palavr\u00f5es quanto os que eram ditos no original. Agora, para a segunda temporada, a BBC pediu \u00e0 produtora respons\u00e1vel pela tradu\u00e7\u00e3o para amenizar os palavr\u00f5es. A instru\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que, quando um expletivo comportar diversas tradu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, \u00e9 melhor \u201cpecar pelo excesso de cautela\u201d em vez de optar pela forma mais forte. A justificativa para essa atitude seria a reclama\u00e7\u00e3o de um espectador que fala dinamarqu\u00eas e teria dito que diversos expletivos foram traduzidos de maneira mais forte do que s\u00e3o entendidos em dinamarqu\u00eas.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tenho como avaliar se quem reclamou tem raz\u00e3o ou n\u00e3o. Tudo indica que a maioria das pessoas viu a s\u00e9rie, pelo visto traduzida com bastantes palavr\u00f5es, e n\u00e3o se incomodou. Mas algu\u00e9m achou que ficou pesado demais, sem necessidade. E, por conta dessa reclama\u00e7\u00e3o, a temporada seguinte vai ter uma tradu\u00e7\u00e3o um pouco mais \u201cfam\u00edlia\u201d. Nos artigos citados, entram tamb\u00e9m os argumentos da concis\u00e3o e de que a legendagem \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o. E, como essa discuss\u00e3o saiu na imprensa, quem nem tinha parado para pensar no estilo e linguajar dessa tradu\u00e7\u00e3o (sempre a imensa maioria do p\u00fablico) agora vai prestar mais aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o os mesmos argumentos usados pelas produtoras brasileiras, que tendem a preferir n\u00e3o correr o risco de ofender ningu\u00e9m, mesmo que isso implique uma ameniza\u00e7\u00e3o de toda a linguagem, para todos os espectadores. Esses argumentos s\u00e3o o cerne do estudo que eu fiz, e \u00e9 interessante constatar que n\u00e3o s\u00e3o privil\u00e9gio do Brasil (coisa que eu j\u00e1 sabia, mas sempre \u00e9 bom frisar).<\/p>\n<p>Outro fator que pesa muito \u00e9 o da tradi\u00e7\u00e3o. Desde sempre, n\u00f3s assistimos filmes e programas estrangeiros com tradu\u00e7\u00f5es amenizadas. O que n\u00f3s consideramos \u201cnormal\u201d j\u00e1 passa por um filtro.<\/p>\n<p>Uma prova disso \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/www.portalaz.com.br\/noticia\/geral\/105116\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">este outro caso<\/a>, de uns tr\u00eas anos atr\u00e1s, mas que eu guardei porque achei fascinante. Em resumo, na d\u00e9cima temporada, a dublagem brasileira de \u201cSouth Park\u201d decidiu liberar o uso de palavr\u00f5es. O programa em ingl\u00eas tem linguajar bem pesado e, ap\u00f3s bastante tempo, os produtores no Brasil parecem ter decidido que a vers\u00e3o em portugu\u00eas tamb\u00e9m poderia ser mais expl\u00edcita. A consequ\u00eancia foi o argumento, quase indignado, de que o registro dos di\u00e1logos em portugu\u00eas estaria mais baixo do que em ingl\u00eas. O exemplo citado \u00e9 o de \u201cfuck you\u201d que, segundo o autor da mat\u00e9ria (n\u00e3o creditado), n\u00e3o deveria ser traduzido por \u201cfoda-se\u201d e sim por \u201cdane-se\u201d (com \u00eanclise, veja bem, pois \u00e9 assim que as pessoas falam no dia a dia, n\u00e3o \u00e9?)<\/p>\n<p>Admito que tenho dificuldade em compreender a conclus\u00e3o da mat\u00e9ria: \u201cAssim, (\u2026) os ped\u00f3filos do clube repetem insistentemente frases que, se fossem ditas no ingl\u00eas do desenho, n\u00e3o teriam uma conota\u00e7\u00e3o t\u00e3o desrespeitosa para o Brasil.\u201d No Brasil n\u00e3o se fala ingl\u00eas ent\u00e3o ningu\u00e9m entenderia, mas me parece que o autor quis dizer que os di\u00e1logos em ingl\u00eas s\u00e3o menos desrespeitosos do que os adaptados ao portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Quer dizer: muita gente se queixa da \u201ccensura\u201d ao linguajar das tradu\u00e7\u00f5es de filmes, mas, na pr\u00e1tica, a presen\u00e7a de palavr\u00f5es ainda choca, dando a impress\u00e3o de ser excessiva ou injustificada.<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m j\u00e1 vi (e ouvi relatos semelhantes de) gente que se choca com o linguajar de filmes nacionais. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar esse tipo de queixa na internet, de que os filmes brasileiros seriam muito mais vulgares, em termos de linguagem, do que os estrangeiros. \u00c9 claro que isso n\u00e3o \u00e9 verdade; h\u00e1 filmes com mais e com menos palavr\u00f5es em qualquer pa\u00eds. Mas, primeiro, estamos habituados a assistir a materiais estrangeiros filtrados pela tradu\u00e7\u00e3o e, segundo, palavr\u00f5es na nossa l\u00edngua materna causam muito mais impacto do que aqueles ditos em uma l\u00edngua estrangeira que n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o \u201centranhada\u201d em n\u00f3s. \u00c9 por isso que \u201cfuck you\u201d parece mais suave do que \u201cv\u00e1 se foder\u201d.<\/p>\n<p>Outra experi\u00eancia sempre interessante \u00e9 nos vermos atrav\u00e9s dos olhos do estrangeiro, quando as nossas obras s\u00e3o traduzidas. De repente, \u00e9 o gringo que nos traduziu que amenizou, pasteurizou, n\u00e3o captou nuances, perdeu detalhes que constituem a verdadeira alma daquela obra. \u00c9 infal\u00edvel: um cr\u00edtico nunca consegue ser isento quando v\u00ea um pedacinho da cultura brasileira adaptado de forma que os estrangeiros compreendam, e acha aquilo um verdadeiro ultraje.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Cinema\/0,,MUL294262-7086,00-PEDE+PRA+SAIR+VIRA+ASK+TO+QUIT+NA+ESTREIA+INTERNACIONAL+DE+TROPA.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Veja esta mat\u00e9ria curios\u00edssima<\/a>\u00a0sobre a exibi\u00e7\u00e3o de \u201cTropa de Elite\u201d em Cannes, em 2008. Todas as express\u00f5es listadas visam ilustrar o quanto a tradu\u00e7\u00e3o amenizou e neutralizou o filme, perdendo detalhes cruciais. Mas o artigo afirma que, apesar de tudo isso, o p\u00fablico conseguiu gostar do filme. Agora examine os exemplos e me diga sinceramente: algum deles est\u00e1 mal traduzido ou amenizado? Eu juro que n\u00e3o consegui detectar nenhum problema ali.<\/p>\n<p>Sim, o problema \u00e9 que o filme foi traduzido com interpreta\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea, pois o p\u00fablico era falante de diversas l\u00ednguas. A solu\u00e7\u00e3o encontrada para fazer uma \u00fanica exibi\u00e7\u00e3o do filme e traduzi-lo em tr\u00eas l\u00ednguas foi interpret\u00e1-lo. E a int\u00e9rprete de ingl\u00eas era mulher, o que, aparentemente, causou algum estranhamento, visto que quase todos os personagens do filme s\u00e3o homens. (S\u00f3 sei que eu pagaria muito, mas muito mesmo, para eu\u00a0<em>n\u00e3o<\/em>\u00a0ser aquela int\u00e9rprete.) Quer dizer, a modalidade de tradu\u00e7\u00e3o pode ter dificultado o envolvimento com o filme, mas, na minha opini\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 muito o que criticar na tradu\u00e7\u00e3o em si.<\/p>\n<p>Enfim, a conclus\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 unanimidade em termos de estilo em tradu\u00e7\u00e3o audiovisual. Do ponto de vista do cliente, imagine ter que lidar com espectadores que ora reclamam da \u201ccensura\u201d e do conservadorismo extremo das tradu\u00e7\u00f5es, ora ficam indignados com o excesso de palavr\u00f5es. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o delicada.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradu\u00e7\u00e3o audiovisual e \u201ccensura\u201d by\u00a0Carolina Alfaro de Carvalho Antes de mais nada, uma pergunta: onde quer que voc\u00ea more, seja no Brasil ou em algum outro pa\u00eds, qual \u00e9 a sua impress\u00e3o sobre o linguajar usado em legendagem e dublagem de filmes comerciais, em cinemas e canais de TV? 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